A fobia específica é um transtorno de ansiedade e caracteriza-se por um medo intenso, relacionado a apenas um estímulo fóbico, como um objeto ou uma situação particular. O objeto ou estímulo fóbico é evitado ou experimentado com ansiedade intensa, podendo chegar a crises de pânico. O medo e a ansiedade são exagerados frente a uma situação que não oferece o risco percebido, ou seja, há uma percepção aumentada de perigo. O transtorno vem acompanhado por sofrimento acentuado ou prejuízos para o indivíduo segundo o DSM-5: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. (American Psychiatric Association, 2014).
Ainda não existe um modelo cognitivo validado para fobia específica (Westbrook et al, 2011), mas Kirk e Rouf (2004) propuseram um modelo bastante aceito e que reconhece a importância do comportamento, principalmente a evitação, como um mantenedor na fobia específica, sendo que o foco principal do tratamento está nas cognições. A fobia é compreendida como uma resposta racional diante de situações ameaçadoras, porém a interpretação de ameaça é resultado de vieses de uma percepção exagerada da situação de risco (Westbrook at al, 2011). Ou seja, diante de gatilhos, como objetos ou situações específicas, o indivíduo tem uma interpretação exagerada da ameaça e experimenta ansiedade significativa e excitação fisiológica, que pode, inclusive, ser interpretada de forma ameaçadora, levando ao medo de experimentar ansiedade. Para se proteger, o indivíduo usa de hipervigilância e atenção seletiva, tentando prever a situação fóbica e evitando entrar em contato ou fugindo dessas situações. Além do viés de uma ameaça exagerada, o indivíduo subestima os próprios recursos de enfrentamento, como não sendo capaz de lidar com a situação ou de suportar os sintomas intensos da ansiedade e não percebe fatores de resgate externos, contando com outras pessoas diante das situações ameaçadoras ou de recursos como medicamentos ou socorro médico, contribuindo ainda mais para o transtorno (Bennett-Levy, 2004). Diante desse quadro, muitos indivíduos ainda desenvolvem cognições específicas a respeito de ter uma fobia, como ser fraco. Portanto, essas cognições também precisam ser contempladas no plano de tratamento.
Nos quadros de fobia, o objetivo do tratamento é ajudar o indivíduo a perceber que os objetos ou situações temidas não são perigosos como ele interpreta e que os comportamentos de evitação e de busca de segurança, além de desnecessários, trazem prejuízos e mantêm o transtorno. (Bennett-Levy, 2004).
A terapia mais sustentada empiricamente, até o momento, é a terapia de exposição referenciada pela American Psychiatric Association – APA (2016), em especial, a exposição in vivo, que consiste em entrar e permanecer em situações temidas, podendo ser realizada de forma gradual, onde o indivíduo entra em contato com situações menos temidas e vai se aproximando gradativamente das situações mais temidas. Após a exposição, a cada evento aversivo, terapeuta e paciente trabalham avaliando a experiência e reavaliando as mudanças (cognitivas e emocionais), analisando pensamentos distorcidos ou irracionais sobre o evento fóbico ou sobre a resposta fóbica. (Bennett-Levy, 2004; Westbrook et al, 2011)
Juntamente à exposição, o tratamento consiste em socializar o paciente ao tratamento, explicando ao paciente sobre o transtorno; a natureza da ansiedade e sua função na evolução; o comportamento de evitação e a manutenção do transtorno; o curso do tratamento. Na adoção das estratégias cognitivas, também é importante explicar a importância da avaliação dos pensamentos distorcidos sobre como é ter uma fobia; como as pessoas podem vê-lo; sobre ideias catastróficas de perigo; sobre sua capacidade de lidar ou tolerar a ansiedade; e a preparação para o término. (Leahy, 2011)
Referências:
American Psychiatric Association – APA (2014). DSM-5: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Artmed Editora.
American Psychiatric Association – APA (2016). Treatment Target: Specific Phobias. Disponível em https://div12.org/diagnosis/specific-phobias/. Acesso em 19 julho 2022.
Kirk, J. & Rouf, K. (2004). Specific fobias. In: Bennett-Levy, J. E. Butler, G. E., Fennell, M. E. Hackman, A. E., Mueller, M. E., & Westbrook, D. E. Oxford guide to behavioural experiments in cognitive therapy (161-182). Oxford University Press.
Leahy, R. L., Holland, S. J., & McGinn, L. K. (2011). Treatment plans and interventions for depression and anxiety disorders. Guilford press.
Westbrook, D., Kennerley, H., & Kirk, J. (2011). An introduction to cognitive behaviour therapy: Skills and applications. Sage.