O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) caracteriza-se por preocupações excessivas e crônicas envolvendo diversos temas. Geralmente vem acompanhada também de tensão muscular, irritabilidade, fadiga, dificuldades de concentração e insônia e é um dos transtornos psiquiátricos mais comuns.
No TAG, não temos apenas um modelo que compreenda o transtorno, mas existem algumas abordagens, baseadas em evidências, que o explicam. Esses modelos apresentam a preocupação como um fator cognitivo central. (Greenberger, 2016; Westbrook at al, 2017)
No modelo de Beck e Clark, o TAG apresenta-se pela superestimação do perigo e subestimação da capacidade de enfrentamento do indivíduo e dos recursos. Para Dugas a intolerância à incerteza é o ponto chave central do TAG, levando o indivíduo a evitar o enfrentamento da incerteza, pois a considera intolerável. Já, Wells, propõe o modelo Metacognitivo para explicar o TAG, modelo que será o foco deste artigo. (Greenberger, 2016; Westbrook at al, 2017).
Para Wells (Wells, 2010), crenças negativas sobre a preocupação, assim como estratégias improdutivas de controle de pensamentos, são centrais à preocupação patológica. Esta abordagem explica que pensamentos negativos sobre ameaças como “E se eu não conseguir terminar o trabalho no prazo?” e “ E se eu ficar doente?” são comuns a todas as pessoas e são pensamentos rápidos e breves. Porém, o indivíduo com TAG engaja-se a responder esses pensamentos, tendo como objetivo antecipar os problemas para evitá-los ou se preparar para eles. Wells denomina essa preocupação de Tipo I. Esse processo acontece como resultado de crenças positivas sobre a preocupação (“Se eu me preocupar posso me proteger”; “Se eu me preocupar me preparo para lidar com os problemas, entre outras”). Portanto, se preocupar é uma estratégia de enfrentamento. Além disso, muitas pessoas com TAG se envolvem também em preocupações do Tipo II (meta preocupações), que são crenças negativas sobre a preocupação que, por sua vez, leva o indivíduo a sensação de insegurança e falta de controle como “A ansiedade me faz mal”, “A ansiedade pode me enlouquecer”, “Não tenho controle nenhum sobre a ansiedade”. Assim, para lidar com a ansiedade provocada, estratégias de enfrentamento (contraproducente) e controle do pensamento são acionadas. Os pacientes tentam, então, evitar situações que geram preocupações e empenham-se em evitar pensamentos sobre preocupação, o que geralmente leva a tentativas frustradas de controle de pensamento, fortalecendo a crença de não ter controle da ansiedade. Deste modo, as crenças positivas e negativas sobre preocupação levam a uma situação conflitante pois, ao mesmo tempo que se preocupar é necessário (Tipo I), preocupar-se é perigoso (Tipo II).
Em vista disso, o tratamento do TAG na terapia metacognitiva tem como objetivo inicial modificar crenças sobre perigo e encontrabilidade da preocupação e, posteriormente, flexibilizar crenças positivas sobre a preocupação, avaliando as vantagens e desvantagens da preocupação, bem como desenvolver estratégias de enfrentamento producentes. (Nordahl, 2018)
Para quem tem interesse em se aprofundar mais no tema, as referências e algumas leituras complementares são fornecidas abaixo.
Referências:
Greenberger, D., & Padesky, C. A. (2016). A mente vencendo o humor: mude como você se sente, mudando o modo como você pensa. Artmed Editora.
Nordahl, H. M., Borkovec, T. D., Hagen, R., Kennair, L. E., Hjemdal, O., Solem, S., … & Wells, A. (2018). Metacognitive therapy versus cognitive–behavioural therapy in adults with generalised anxiety disorder. BJPsych open, 4(5), 393-400.
Wells, A. (2010). Metacognitive theory and therapy for worry and generalized anxiety disorder: Review and status. Journal of Experimental Psychopathology, 1(1), jep-007910.
Westbrook, D., Kennerley, H., & Kirk, J. (2017). An introduction to cognitive behaviour therapy: Skills and applications. Sage.
Leitura complementar:
Beck, A., Clark, D.(2016). Terapia Cognitiva para os Transtornos de Ansiedade: Tratamentos que Funcionam: Guia do Terapeuta. Artmed, Porto Alegre.
Wells, A. (2005). The metacognitive model of GAD: Assessment of meta-worry and relationship with DSM-IV generalized anxiety disorder. Cognitive therapy and research, 29(1), 107-121.