Pressupostos subjacentes e experimentos comportamentais

 

Nossas crenças intermediárias são influenciadas pelas crenças centrais e consistem em atitudes, regras e pressupostos subjacentes. Em geral, as atitudes indicam os valores da pessoa como, por exemplo, ser responsável ou correto, podendo levar à atitude “é horrível ou inaceitável falhar”. Essa categoria de crenças também pode se apresentar por regras, tal como “não devo falhar nunca”. 

Mas, neste texto, queremos dar ênfase à categoria dos pressupostos, que são de extrema importância, já que  influenciam nossos pensamentos e dirigem nossos comportamentos.

Os pressupostos apresentam-se na forma de “se … então…” e traduz como o paciente procura lidar com as crenças centrais dolorosas. Imagine uma pessoa que tem a crença central “não sou amada”, neste contexto, ela pode desenvolver o seguinte pressuposto “Se eu agradar ou se eu for boazinha, então sempre serei amada”. Perceba que o pressuposto é a forma como a pessoa desenvolve para lidar com sua crença de não ser amada e que vai orientar suas ações,  levando a ter comportamentos de agradar, concordar com tudo ou fazer muito pelo outro. Desta forma, o pressuposto acarreta prejuízos e até sofrimento, pois sempre estará em segundo plano, não satisfazendo as próprias necessidades ou não caminhando em direção às próprias metas. 

Os pressupostos atuam como fator de manutenção dos problemas do paciente, e por isso, devem ser um foco importante da terapia e do plano de tratamento. 

Nem sempre os pressupostos são trabalhados no início da terapia. Nos casos de depressão, por exemplo, o protocolo orienta a trabalhar, inicialmente, com ativação comportamental e pensamentos disfuncionais. Mas nos casos onde o objetivo refere-se a comportamentos do paciente, questões interpessoais, agressão ou vícios, os pressupostos podem ser abordados inicialmente no tratamento, pois  podem manter  esses comportamentos. Se um paciente acredita que “se eu não agredir, então estarei fazendo papel de bobo” ele manterá o comportamento de agressão, não aderindo as tentativas de mudar esse comportamento; ou se um paciente pensa “se eu não usar droga então vai ser insuportável” suas tentativas de manter-se afastado das drogas tendem a fracassar; ou ainda, se um paciente acreditar que “se alguém gosta de mim, então vai saber exatamente o que eu sinto e me atender” pode ter sérios problemas nos relacionamentos, não tendo suas expectativas atendidas. 

Nos casos de ansiedade também é recomendado o foco nos pressupostos desde o início, já que os pensamentos na ansiedade geralmente se apresentam na forma de “se .. então…” como “se alguma coisa sair errada então eu não serei capaz de suportar”.

Esperamos que tenha ficado clara a importância de identificar e trabalhar com os pressupostos. E talvez, você agora esteja se perguntando: Como trabalhar com os pressupostos? Como ajudar os pacientes a desenvolver pressupostos mais funcionais? 

A literatura aponta que o melhor meio para construir pressupostos mais funcionais são os experimentos comportamentais. Para conhecer  essa estratégia de intervenção veja nosso vídeo no canal do youtube Experimentos Comportamentais.

 

Referências:

Beck, J. S. (2022). Terapia cognitivo-comportamental. 3ª edição- Porto Alegre: Artmed Editora.

Padesky, C. A., & Greenberger, D. (2021). Guia de Terapia Cognitivo-Comportamental para o Terapeuta: A Mente Vencendo o Humor. Porto Alegre: Artmed Editora.

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