O que o supervisionado pode esperar da supervisão baseada em competências?

Por: Roberta Gonçalves Joaquim

Foto: Jason Goodman via Unsplash

A supervisão clínica é uma experiência amplamente familiar a todos os terapeutas, integrando-se ao longo de sua trajetória formativa. Contudo, é perceptível que uma parcela considerável desses profissionais desconhece o tipo específico de supervisão que estão particioando, e, em alguns casos, não têm familiaridade com as diversos modelos de supervisão disponíveis, nem compreensão sobre qual se alinha melhor às suas necessidades profissionais. Se você ainda não sabe sobre os tipos de supervisão e o que é uma supervisão baseada em competências, convidamos você a ler os nossos textos, é só clicar nos links.

A supervisão fundamentada em competências preenche uma lacuna crucial em nossa formação como psicólogos e especialistas em TCC. De acordo com Wrigth, Brown, Thase e Basco (2019), a busca pelo desenvolvimento de competências por parte de um terapeuta em TCC é essencial por diversos motivos: 1) assegurar resultados mais eficazes para os pacientes, garantindo o sucesso do processo psicoterápico e a segurança do paciente; 2) aprimorar e refinar habilidades específicas em TCC, respaldando uma prática consistente que proporcione resultados baseados em evidências; e 3) obter maior satisfação na atuação profissional. Em relação à satisfação pessoal, presente nos processos de aprendizagem e desenvolvimento profissional, Stolovitch e Keeps (2011) mencionam que a motivação intrínseca está relacionada ao senso de autoeficácia, ou seja, à sensação de autorrealização quando se desenvolvem competências, conectando-se de forma mais consistente com o processo terapêutico do paciente.

Diante desse contexto, fica a pergunta: o que o profissional sob supervisão pode esperar de uma abordagem de supervisão baseada em competências?

O profissional sob supervisão pode antecipar um processo colaborativo, fundamentado em princípios éticos e respeito, repleto de estratégias pedagógicas e feedback para aprimoramento do desempenho. Ele pode contar com o desenvolvimento dos seguintes aspectos (Barletta, Gay, Velasquez e Neufeld, 2021; Wrigth, Brown, Thase e Basco, 2019): 

Desenvolver conhecimento, habilidades e atitudes é uma parte fundamental do processo de supervisão clínica. No âmbito do conhecimento, envolve adquirir um entendimento teórico do modelo cognitivo-comportamental, assim como conceitos relacionados a pensamento, distorções cognitivas, conceitualização cognitiva e reconhecimento da importância do desenvolvimento contínuo. No campo das habilidades, destaca-se a necessidade de aprimorar competências essenciais à prática clínica, como a avaliação e conceitualização das dificuldades dos clientes dentro do modelo cognitivo, estruturação de sessões, elaboração de planos de ação entre as sessões e a autoreflexão sobre pensamentos e emoções relacionados ao processo psicoterápico. Quanto às atitudes, é crucial cultivar a empatia, respeito, sensibilidade a questões culturais dos clientes, e estar aberto ao feedback para o contínuo desenvolvimento como terapeuta.

O desenvolvimento contínuo baseado em metas educacionais parte das dificuldades e objetivos identificados pelo supervisionado e supervisor. A relação entre supervisor e supervisionado é pautada nos princípios da colaboração, sendo horizontal e não hierárquica, criando um ambiente seguro para aprendizado, com o papel mais ativo do supervisionado.

O uso de feedback é essencial para validar conhecimentos e desenvolver áreas que demandam aprimoramento, enquanto parâmetros e medidas objetivas, como a escala CTRS (Young e Beck, 1980), são empregados para avaliar competências de maneira concreta e menos subjetiva. O modelo, baseado na psicoterapia, incorpora elementos como estrutura de sessão, Diálogo Socrático e plano de ação nas sessões de supervisão, fortalecendo os pressupostos teóricos.

A Habilitá defende que o modelo de supervisão baseado em competências é capaz de potencializar e refinar conhecimentos, habilidades e atitudes dos terapeutas em TCC, promovendo a conexão com a motivação intrínseca, a segurança do paciente e prevenindo o esgotamento do terapeuta. O comprometimento da Habilitá com esse tipo de supervisão reflete sua busca por um desenvolvimento terapêutico embasado em evidências e experiências.

É importante ressaltar a relevância do desenvolvimento do supervisor para atuar nesse modelo de supervisão, assegurando a segurança tanto do paciente quanto do terapeuta. A Habilitá está à disposição para auxiliar na escolha do melhor método de supervisão clínica em TCC, visando enriquecer a prática clínica.

Referências:

Wright, J. H., Brown, G. K., Thase, M. E., Basco, M. R.  (2018-03-12). Aprendendo a Terapia Cognitivo-Comportamental: Um Guia Ilustrado, 2nd Edition. [VitalSource Bookshelf version].  Retrieved from vbk://9788582715420

Barletta, J. B., Gauy, F. V., Velasquez, M. L., & Neufeld, C. B. (2021). Estratégias pedagógicas para fomentar o desenvolvimento de competências do terapeuta cognitivo-comportamental. In Federação Brasileira de Terapias Cognitivas, C. B. Neufeld, E. M. O. Falcone & B. P. Rangé (Orgs.), PROCOGNITIVA Programa de Atualização em Terapia Cognitivo-Comportamental: Ciclo 8 (pp. 117–68). Porto Alegre: Artmed Panamericana. (Sistema de Educação Continuada a Distância, v. 2). https://doi.org/10.5935/978-65-5848-339-7.C0001

Stolovitch, Harold D. (2011). Telling ain’t training. Alexandria, VA : Silver Spring, Md. :ASTD ; ISPI. 2° ed.

Young, J., & Beck, A. (1980). Cognitive Therapy Scale: Rating Manual. Unpublished manuscript. Center for Cognitive Therapy, Philadelphia, PA.

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