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Por: Roberta Gonçalves Joaquim
O processo terapêutico em TCC prepara o cliente para recaída desde o primeiro encontro, por exemplo, quando explicamos o modelo cognitivo, quando dizemos que o nosso objetivo é ensinar habilidades para ele e quando efetivamente ensinamos habilidades.
Existem estratégias que você usa durante o processo que o auxiliam nessa preparação, são exemplo de estratégias: vantagens e desvantagens; cultivar memórias positivas; utilizar a resolução de problemas; identificar; avaliar e responder aos pensamentos automáticos (aqui podemos usar o RPD ou aplicativos de terapia que tenham esse recurso); etc.
Importante que você e o cliente possam discutir sobre o processo de recaída e considerar que elas são esperadas ao longo do processo, durante as pausas das sessões e após concluir o processo. A atenção do terapeuta, além de estar na elaboração do plano, também estará em como o paciente interpreta a possibilidade de recaída, dando assim a possibilidade de corrigir alguma interpretação disfuncional.
Quando o término do processo terapêutico se aproxima, cliente e terapeuta tomam, de forma colaborativa, a decisão de reduzir a frequência das sessões, primeiro para quinzenal, depois para mensal e assim até as sessões não serem mais necessárias. Vale ressaltar que sessões de reforço após o término são muito bem-vindas.
Da mesma forma, quando falamos sobre recaída observe se o paciente tem alguma interpretação disfuncional sobre a diminuição da frequência das sessões ou do próprio término, assim você terá a possibilidade de intervir e diminuir a probabilidade dessas interpretações serem um obstáculo a esse momento do processo terapêutico.
Uma estratégia bastante eficaz nesse processo de manutenção do uso da terapia e atenção à recaída é a autoterapia. Desde 2014 temos usado de forma constante essa estratégia com nossos pacientes e os resultados têm sido cada vez melhores. A nossa próxima postagem será sobre esse tema. Aguardem!
Inicie sua preparação para o término falando sobre o que foi conquistado na terapia, ajude o paciente a considerar sua melhora, evolução sobre o processo e a participação dele nessas conquistas. Após identifiquem as estratégias terapêuticas que o ajudaram nessas conquistas, depois identifiquem os possíveis gatilhos e sinais que possam representar uma recaída. Convide o cliente a considerar estratégias, da lista que vocês acabaram de fazer, que possam auxiliá-lo a lidar com os gatilhos ou sinais de recaída. Anotações do processo de terapia ajudam nesse planejamento.
Façam esse planejamento por escrito e, se for preciso, escolham um sistema de alarme para garantir que o cliente se lembre de consultá-lo.
Você pode adaptar o plano de recaída às preferências de seus clientes, por exemplo, no livro: A mente vencendo o humor, tem um capítulo que pode auxiliar o cliente nesse processo. O capítulo 16 é uma boa dica de leitura e inclui formulários para serem usados na construção desse plano. Geralmente os pacientes gostam muito desse capítulo.
Todas essas estratégias podem ser adotadas com crianças e adolescentes, só precisam ser adaptadas.
Concluo esse texto, propondo a reflexão e autoprática que Judith Beck nos convida a fazer em seu livro, Terapia cognitivo-comportamental-teoria e prática – 3° edição.
Exercício de reflexão: pense em como você pode reduzir a angústia de seu cliente em relação ao término do processo terapêutico ou de possíveis recaídas. Pense quais estratégias podem ser úteis para que ele continue a usar as estratégias que aprendeu.
Autoprática: se imagine como um cliente e faça um plano de recaída para uma dificuldade que já tenha enfrentado e que possa ter novamente.
Desejamos que esse texto os tenha auxiliado.
Beck, J. Terapia Cognitivo-comportamental: teoria e prática. Trad: Sandra Maria Mallmann da Ros; revisão técnica: Paulo Knapp.- 3° ed. – Porto Alegre: Artmed, 2022.