Mindfulness na TCC

Photo by Lesly Juarez on Unsplash

Por: Fabiana Romanini

Foto: Photo by Lesly Juarez on Unsplash

Mindfulness é um tipo de meditação praticada por monges budistas de longa data (mais de 2500 anos). Foi incorporada à TCC há mais de 25 anos, e seus resultados positivos para diversos transtornos psiquiátricos e condições médicas vem sendo corroborado através de inúmeras pesquisas. 

Essa meditação consiste em manter a atenção na experiência imediata, adotando uma postura de abertura, curiosidade, aceitação e compaixão sem julgamento. Essa experiência pode ser interna, como pensamentos, emoções, sensações corporais; ou externa, como sons, aromas e imagens.

O Mindfulness compõe-se de uma prática formal, realizada diariamente, em local adequado e previamente planejado, com horário definido, como todas as manhãs, por exemplo, e de uma prática informal, provindo das experiências do dia a dia, como no momento de escovar os dentes, tomar banho, comer algo ou quando surgem pensamentos e emoções desconfortáveis.

Essa postura meditativa, de atenção plena, nos ajuda a relacionar com nossos pensamentos de uma forma diferente, não se envolvendo com eles, não dando crédito ou brigando, mas apenas observando-os, e permitindo que venham e que vão. Assim, a prática de mindfulness é útil com pacientes que apresentam obsessão, ruminação, preocupação e autocrítica ou aversão a estímulos internos como no transtorno de pânico.

Pode ser uma prática independente ou associada a alguma modalidade de tratamento. Em TCC, mindfulness pode ser combinado com outras estratégias de intervenção. Vejamos o exemplo de um paciente com depressão, que apresenta ruminação como um mantenedor do humor depressivo. Pode-se iniciar com uma psicoeducação da depressão e da ruminação, aliando avaliação de vantagens e desvantagens dele se engajar nesse comportamento ruminativo e usar o mindfulness como uma estratégia para diminuir o pensamento ruminativo, onde o paciente vai apenas observar os pensamentos negativos que surgem sem crítica ou julgamento, e até mesmo com compaixão. Recomenda-se que a primeira sessão de mindfulness seja realizada junto com o paciente. Outro exemplo, de um paciente com pânico, que após ter sido psicoeducado sobre o pânico, e tendo aprendido a identificar gatilhos, pensamentos, emoções e comportamentos, passa a utilizar mindfulness para observar suas sensações corporais, sem julgamento, diminuindo assim a catastrofização dos sintomas físicos, aprendendo que esses sintomas não são perigosos e compreendendo as desvantagens de estratégias compensatórias como a evitação.

O livro “Atenção plena – Mindfulness”, escrito por Mark Williams e Danny Penman, em  2015, traz um treinamento de oito semanas para quem quer aprender a praticar mindfulness. Esta obra foi baseada em um programa, criado por Mark Williams, John Teasdale e Zindel Segal, conhecido como Mindfulness-based cognitive therapy (MBCT)  com o objetivo de ajudar pacientes que sofriam de depressão.

Nosso convite é para que você pratique mindfulness, descubra seus enormes benefícios e utilize na sua prática clínica. Seus pacientes vão se beneficiar muito com a utilização dessa intervenção.

Referências: 

Beck, J. Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática. Porto Alegre; Artmed. 2022.

Williams, M.;  Danny P. Atenção plena – mindfulness como encontrar paz em um mundo frenético. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2015.

 

Inscreva-se em nossa newslatter para ter acesso a conteúdos originais basedos em evidências

Você também pode se interessar por esses