Estratégia de Aceitação

Por: Fabiana Romanini
Foto: Alysha Rosly / Unsplash

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é tradicionalmente reconhecida como uma abordagem terapêutica orientada para a ação e para a mudança. No entanto, assim como ocorreu com o desenvolvimento de outras abordagens contemporâneas — especialmente as chamadas terapias de terceira onda, como a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) —, a TCC tem ampliado sua perspectiva ao buscar um equilíbrio mais refinado entre mudança e aceitação. Em determinados contextos clínicos, o foco na aceitação pode se mostrar não apenas complementar, mas também mais promissor do que estratégias exclusivamente voltadas à modificação direta de pensamentos e emoções.

Nesse cenário, destaca-se o conceito de aceitação radical, amplamente difundido por Marsha Linehan. A aceitação radical refere-se à disposição de aceitar plenamente o momento presente tal como ele é, sem exigências de que a realidade seja diferente. Ao contrário de interpretações equivocadas, essa postura não implica passividade, resignação ou submissão. Trata-se, ao contrário, de uma ação voluntária, caracterizada por uma atitude intencionalmente aberta, receptiva, flexível e livre de julgamentos em relação à experiência momento a momento, conforme descrito por Hayes (2012).

Do ponto de vista clínico, grande parte do sofrimento psicológico não decorre apenas do conteúdo dos pensamentos ou das emoções em si, mas da relação que o indivíduo estabelece com essas experiências internas. Diante da dor — compreendida como parte inerente da condição humana — é comum que as pessoas tentem evitá-la, suprimi-la ou controlá-la a qualquer custo. Paradoxalmente, essas tentativas costumam ser onerosas, ineficazes a longo prazo e frequentemente intensificam o sofrimento. Nesse sentido, a aceitação não se limita a eventos externos, mas se estende a pensamentos, emoções e sensações físicas, convidando o indivíduo a cessar a luta contra a própria experiência.

O processo de aceitação, conforme proposto nas abordagens contemporâneas da TCC, envolve o uso de exercícios experienciais, práticas de mindfulness e um foco consistente nos valores pessoais. Aceitar o momento presente implica observá-lo de forma consciente e sem julgamentos, ao mesmo tempo em que se mantém o compromisso com aquilo que confere sentido e direção à vida. Assim, a aceitação não representa um fim em si mesma, mas um meio para sustentar ações alinhadas a valores e para a construção de uma vida que seja percebida como significativa e valiosa.

Referências

Hayes, S. C. Terapia Cognitivo-Comportamental Baseada em Processos: Ciência e Competências Clínicas. Artmed, 2020.

Wenzel, A. Inovações em Terapia Cognitivo-Comportamental: Intervenções Estratégicas para uma Prática Criativa. Artmed, 2018.

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