Por: Roberta Joaquim
Foto de Julia Raasch na Unsplash
As intervenções comportamentais, como a ativação comportamental, são também utilizadas na clínica infanto-juvenil. Seu objetivo é restabelecer a relação entre a criança e/ou o jovem com o seu mundo, reativando interações sociais e atividades prazerosas, melhorando assim o seu humor.
Existem diversas formas de planejar uma ativação comportamental com crianças e/ou adolescentes, seguem algumas sugestões de intervenções:
Com crianças entre 06 e 10 anos pode ser interessante usar uma abordagem mais divertida como utilizar figuras que demonstrem atividades com bola, bicicleta, canetas e desenho, outras crianças brincando, etc. Isso pode ajudá-las a identificar o que elas gostavam de fazer antes de se sentirem deprimidas.
Um exemplo pode ser a intervenção “Escolha um cartão…qualquer cartão”, sugerida por McClure e Friedberg, no livro TCC expressa.
A intenção tem o objetivo de aumentar o entendimento sobre a interação entre a ação e a melhora do humor, resultando assim em um engajamento maior na estratégia de ativação comportamental.
O terapeuta pode deixar alguns cartões em branco ou deixar escrito algumas rápidas intervenções nesses cartões, por exemplo, brincar de encontrar algum objeto com uma letra específica, ver um vídeo engraçado e curto pelo celular, ler uma história engraçada, etc. Isso pode levar a criança a experimentar uma mudança em seu humor de forma rápida e assim uma maior credibilidade na intervenção.
Ah, não se esqueça de mensurar a intensidade da emoção antes e depois da intervenção, isso vai se tornar um fato concreto do objetivo da intervenção.
Importante que você demonstre essa intervenção aos pais ou cuidadores e convide-os a participar e a criar novos cartões para a criança escolher o que fazer. Após, planejem atividades para o intervalo das sessões em uma planilha de atividades prazerosas e ajude-as a colocar essa planilha em prática durante a semana.
Já para os adolescentes, as sugestões são diferentes, por considerar os aspectos dessa fase do desenvolvimento.
O automonitoramento em forma de diário é um bom exemplo, pois traz a possibilidade de o adolescente compreender como se sente quando está sozinho (isolado por conta da depressão, por exemplo) e sem atividades prazerosas e após inserir atividades prazerosas como ele se sentiu.
O autor Paul Stallard, em seu livro “Bons pensamentos – Bons sentimentos”, propõe um conjunto de intervenções que nomeou como “Ocupando-se” que inclui o automonitoramento, conforme proposto:
- Escolha atividades que façam diferença para você;
- Vá devagar (escolha algo modesto, pois o você pode estar sem fazer muitas coisas há um certo tempo);
- Faça já! (não espere a vontade aparecer, ajude-a a aparecer!);
- Comemore as suas conquistas (elogie a si mesmo e seja muito gentil com você);
- Reconheça o que você conseguiu (mantenha o foco no que você conseguiu e não no que você ainda não conseguiu) – Uma intervenção cognitiva pode auxiliar seu cliente a lembrar dessa pergunta: pense o que você diria a seu amigo se ele conquistasse algo que tenha sido muito desafiador para ele.
Construir um cartão de enfrentamento com essas etapas pode ajudar o cliente a usá-la com maior frequência. O uso de aplicativos como o Tools4life pode ajudá-lo a construir bons cartões e deixá-lo no celular facilita ainda mais o acesso e favorece sua utilização. Ou você pode usar os inventários do próprio livro.
Não esqueça de ajudá-lo a organizar o seu diário de automonitoramento, o livro e o aplicativo também trazem outras opções interessantes para os adolescentes.
Mas lembre-se que respeitar as preferências do cliente e construir essas estratégias, colaborativamente, é sempre muito importante!
Referências:
Tools4life: https://www.tools4life.com.br/
Stallard, P. (2021). Bons Pensamentos – Bons Sentimentos: Guia de Terapia Cognitivo-Comportamental para Adolescentes e Jovens Adultos. [[VitalSource Bookshelf version]]. Retrieved from vbk://9786558820109
McClure, J. M., Friedberg, R. D., Thordarson, M. A., Keller, M. (2021). TCC Expressa: Técnicas de 15 Minutos para Crianças e Adolescentes. [[VitalSource Bookshelf version]]. Retrieved from vbk://9786558820123