Ativação Comportamental em TCC: quando e como usá-la?

Foto de Possessed Photography na Unsplash

Por: Fabiana Romanini

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A Ativação Comportamental (AC) é reconhecida na literatura como um tratamento completo e empiricamente sustentado para a depressão, podendo ser utilizada como intervenção principal. Trata-se de uma abordagem de base comportamental e figura entre os tratamentos mais recomendados para esse transtorno.

A AC parte da premissa de que pessoas deprimidas tendem a reduzir progressivamente seu envolvimento com atividades cotidianas e com o ambiente. Esse afastamento, frequentemente marcado por padrões de evitação, contribui para a manutenção e intensificação do humor depressivo, uma vez que o indivíduo passa a ter menos contato com experiências potencialmente reforçadoras, como atividades prazerosas ou associadas a senso de domínio e realização. Assim, o objetivo central da Ativação Comportamental é aumentar o nível de atividade do paciente, ampliando sua exposição a reforçadores positivos e favorecendo mudanças no humor e no funcionamento global.

Entre os protocolos mais conhecidos de AC destacam-se o modelo proposto por Martell e colaboradores, que geralmente compreende cerca de 22 sessões, e o protocolo desenvolvido por Lejuez, conhecido como Ativação Comportamental Breve para Depressão (ACPD), caracterizado por uma estrutura mais concisa. Apesar de diferenças no formato e na duração, esses modelos compartilham princípios fundamentais, entre os quais se destacam três etapas centrais.

A primeira etapa consiste no monitoramento sistemático das atividades, geralmente realizado ao longo de aproximadamente uma semana. Nessa fase, busca-se identificar quais atividades o paciente realiza, bem como as emoções e estados de humor associados a elas. O objetivo é compreender quais comportamentos estão relacionados à melhora do humor e quais contribuem para seu agravamento.

A segunda etapa envolve a identificação dos valores pessoais do paciente. Esse passo é essencial, pois atividades alinhadas aos valores tendem a ser naturalmente mais reforçadoras, aumentando a probabilidade de engajamento e adesão ao tratamento. A conexão entre ações concretas e aquilo que é significativo para o paciente confere maior sentido às mudanças comportamentais propostas.

Com base nessas informações, a etapa seguinte consiste no planejamento das atividades. Mais do que simplesmente aumentar o nível de atividade, é fundamental selecionar ações que sejam funcionalmente relevantes e reforçadoras para aquele indivíduo específico. Essa fase exige cuidado clínico, pois a escolha inadequada das atividades pode comprometer o engajamento e a eficácia da intervenção.

Embora a Ativação Comportamental possa parecer, à primeira vista, uma intervenção simples e de fácil aplicação, sua implementação clínica é frequentemente desafiadora. Isso ocorre, em primeiro lugar, pela necessidade de uma avaliação funcional criteriosa e de uma seleção adequada de atividades. Além disso, processos como evitação experiencial e ruminação cognitiva podem atuar como barreiras importantes ao progresso terapêutico.

Nesse contexto, alguns recursos do terapeuta tornam-se particularmente relevantes para o sucesso da AC. Destacam-se, entre eles, a empatia e o uso de estratégias baseadas em mindfulness. A empatia permite que o terapeuta compreenda de forma genuína as dificuldades do paciente, favorecendo uma relação terapêutica colaborativa e validante. Já o mindfulness pode auxiliar no manejo da ruminação e na promoção de uma postura mais aberta e aceitante em relação às emoções e aos desafios inerentes ao processo de mudança.

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Referências

Hayes, S. C., & Hofmann, S. G. Terapia Cognitivo-Comportamental Baseada em Processos: Ciência e Competências Clínicas. Artmed.

Wenzel, A. Inovações em Terapia Cognitivo-Comportamental: Intervenções Estratégicas para uma Prática Criativa. Artmed, 2018.

American Psychological Association. Division 12. Cognitive Therapy for Depression. Disponível em: https://div12.org/treatment/cognitive-therapy-for-depression. Acesso em: 08/11/2021.

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