Por: Roberta Gonçalves Joaquim
Foto: Louis Galvez by Unsplash
Considerando os estudos de Wenzel, Beck e Brown (2010) em seu livro, Terapia Cognitivo Comportamental para pacientes suicidas propomos a reflexão sobre a avaliação e classificação dos atos suicidas.
Ser um psicólogo clínico requer que consideremos algumas definições operacionais para que seja possível avaliar o quadro de um paciente e tomar a decisão por qual caminho percorrer. Com pacientes suicidas as definições operacionais não são um consenso, mas os autores se baseiam em um esquema de classificação desenvolvido há mais de 30 anos no campo da suicidologia. Esse esquema descreve os fenômenos suicidas como:
- suicídio consumado (morte derivada de comportamentos autoinfligidos com qualquer intenção de morrer);
- tentativas de suicídio (coportamento não fatal, autoinfligido, danoso e com qualquer intenção de morrer, podendo ou não ter como resultado um ferimento);
- ato suicida (comportamento autoinfligido com qualquer intenção de morrer, podendo resultar em morte ou não);
- ideação suicida (pensamentos, incluindo imagens, e outras cognições sobre terminar com a própria vida), sempre considerando a letalidade da tentativa, a intenção de morrer, as circunstâncias favoráveis e métodos.
A intenção de morrer é um aspecto central para diferenciar atos suicidas de não suicidas, podendo ser explícitas ou implícitas. As intenções explícitas são comunicadas diretamente e as implícitas podem ser inferidas. Outro aspecto de extrema relevância na avaliação do risco suicida são as dimensões de tentativas de suicídio, o grau de haver um ferimento real e o grau de intenção de cometer o suicídio no momento do comportamento.
Além dos construtos descritos acima, é importante o terapeuta também avaliar as circunstâncias atenuantes (circunstâncias que possam alterar a compreensão do paciente acerca das consequências de suas ações) e o método das tentativas (relação com o grau de letalidade). Nessa avaliação também é importante considerar os fatores de risco presentes na vida de cada um dos pacientes, fatores esses que nos darão pistas sobre as crises suicidas. De acordo com os autores podemos considerar os seguintes fatores de risco (sendo que alguns vão influenciar diretamente o tratamento e outros não): dados demográficos, histórico psiquiátrico, variáveis psicológicas (desesperança, cognições relacionadas ao suicidio, impulsividade aumentada, déficit na resolução de problemas e perfeccionismo) e fatores de proteção.
Portanto, ao receber um paciente suicida em nossos consultórios é de extrema importância que tenhamos em mente a avaliação do grau de seriedade do ato ou pensamento suicida, a intenção e a letalidade do método. O uso de medidas padronizadas é encorajado e sugerido pelos autores, pois auxiliam na avaliação de atos e ideações suicidas fornecendo medidas quantitativas e qualitativas para as três dimensões de avaliação e assim direcionar intervenções.
É importante que o terapeuta conheça a teoria sobre suício e utiliza escalas validadas para aumentar a sua segurança ao cuidar de um paciente suicida. Cabe ressaltar, que para o uso de escalas validadas no Brasil consulte o Conselho Federal de Psicologia https://satepsi.cfp.org.br/.
Referência Bibliográfica: Wenzel, A., Brown, K. G. e Beck, A. (2010). Terapia Cognitivo-Comportamental para pacientes Suicidas; Porto Alegre: Artmed, 2010.