Como determinar quando nosso paciente está em risco de tentar suicídio?

Photo by Sydney Sims on Unsplash

Por: Roberta Gonçalves Joaquim

Foto: Photo by Sydney Sims on Unsplash

É fato que para compreender um transtorno é necessário que saber quais as variáveis que determinam as suas características e assim avaliar e planejar o tratamento.

Nosso texto de hoje tem o objetivo de trazer a reflexão, segundo a literatura sobre o tema, de quais variáveis são relevantes para avaliar as tentativas de suicídio e mortes por suicídio em adultos. Essa compreensão possibilita entender os mecanismos subjacentes associados aos atos suicidas e viabiliza intervenções em pontos importantes para reduzir futuros atos suicidas.

Segundo os autores referenciados, são quatro as variáveis mais relevantes: demográfica, diagnóstica, histórico psiquiátrico e psicológica. As variáveis demográfica e história psiquiátrica são consideradas como informações contextuais e não necessariamente são abordadas no tratamento. Já as variáveis psicológica e de diagnóstico são abordadas no tratamento e oferecem entendimento dos mecanismos subjacentes envolvidos em atos e ideações suicidas, oferecendo um foco central e não periférico ao tratamento.

As tentativas de suicídio e o suicídio são associados a uma série de transtornos psiquiátricos como depressão maior, transtornos psicóticos, bipolar, entre outros.

As variáveis psicológicas, que abrangem as de natureza cognitiva, afetiva ou comportamental são as mais possíveis de serem modificadas por intervenções e, por isso, são o foco principal na TCC. São elas: desesperança, cognições relacionadas ao suicídio, impulsividade aumentada, déficits na resolução de problemas e perfeccionismo.

E, por fim, avaliar e considerar os fatores de proteção proporciona uma avaliação mais ampla do risco de suicídio. Alguns dos fatores de proteção são: razões para viver, atividades religiosas, medo de morrer, rede social de apoio, autoeficácia em áreas problemas que são gatilho para a ideação suicida, entre outros.

Lembre-se, avaliar esses fatores a partir da experiência do seu cliente ajudará a conceitualizar e planejar um tratamento mais individualizado e eficiente. A teoria e as pesquisas só funcionam quando somadas à experiência que só o seu cliente pode lhe contar.

Referência Bibliográfica: Wenzel, A., Brown, K. G. e Beck, A. (2010). Terapia Cognitivo-Comportamental para pacientes Suicidas; Porto Alegre: Artmed, 2010.

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