Por:Roberta Gonçalves Joaquim
Foto: Photo by Maksym Ostrozhynskyy on Unsplash
Uma doença como o câncer apresenta grave ameaça a muitos aspectos da vida de quem recebe o diagnóstico.
O modo como o diagnóstico e o tratamento são interpretados por aqueles que o recebem tem papel central na adaptação e enfrentamento da doença. Sendo assim, as reações emocionais são determinadas pela ameaça individual que o câncer representa para vida de cada um, incluindo a sensação individual de domínio. Nesse momento as crenças funcionais sobre si mesmo, o mundo e os outros são colocadas à prova e as crenças mais disfuncionais ficarão em evidência, trazendo maior dificuldade no ajustamento do indivíduo ao enfrentamento da doença.
Você já parou para pensar como é receber o diagnóstico de uma doença grave tão estigmatizada quanto o câncer? Já parou para pensar sobre isso? Quais seriam seus pensamentos e sentimentos?
Pois é assim que se sente um paciente que recebe um diagnóstico como o de câncer. Ele faz muitas perguntas pelo fato de que é muito difícil entender o que está acontecendo, levando-o a sensação de entorpecimento e desordem emocional.
Como lidar com um tratamento longo e desgastante? Como será quando o meu cabelo cair? Como vou me olhar após a mastectomia? Voltarei ao meu cotidiano? Como ficará minha libido? Algumas dessas suposições são, de alguma forma, universais, outras são idiossincráticas e entender isso faz diferença na condução do tratamento, pois essas suposições têm relação com o conjunto de crenças próprias daquele indivíduo. Crenças sobre si mesmo e sobre sobrevivência.
A combinação entre a interpretação do estresse causado pelo momento, as estratégias de enfrentamento e a qualidade do suporte emocional promoverão o ajustamento do indivíduo à doença e seu curso.
O câncer representa uma ameaça a suposições fundamentais sobre a nossa vida, de quem somos, de como enfrentamos nossas dificuldades, e a forma como os pacientes avaliam o significado da doença irá determinar como eles viverão esse momento.
De acordo com Moorey e Greer (2012) os pacientes respondem a três perguntas vitais sobre o significado da doença: “Qual é a dimensão da ameaça?”, “O que pode ser feito?” e “Qual é o prognóstico?”.
A ameaça que o câncer representa pode ser interpretada como um desafio, uma grande ameaça, uma perda, dano ou derrota ou, ainda, como negação ou recusa em aceitar que a ameaça existe. Veja o quadro esquemático abaixo.

Pacientes que avaliam a doença como um desafio mostram-se mais otimistas diante do futuro e se engajam em estratégias de enfrentamento mais eficazes. Já pacientes que avaliam a doença como uma perda, sentem-se mais impotentes e o futuro lhes parecerá muito mais sombrio.
Portanto, os padrões de pensamentos, sentimentos e comportamentos associados a estas avaliações representam o estilo de ajuste que a pessoa desenvolve, representando assim o sistema de ajuste que a pessoa desenvolve.
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Referência:
Moorey, S., Greer S., Oxford Guide to CBT for people with Cancer. Oxford ; New York : Oxford University Press, 2012