Pacientes oncológicos e saúde mental. 

Photo by Manuel Torres Garcia on Unsplash

Por: Roberta Gonçalves Joaquim

Foto: Photo by Manuel Torres Garcia on Unsplash

 

O câncer de mama é o segundo diagnóstico com maior incidência mundialmente em mulheres, sendo as regiões Sul e Sudeste do Brasil as que apresentam as taxas mais altas da doença em relação ao território nacional. Homens também podem receber o diagnóstico de câncer de mama, porém sua incidência é 1% em relação a todos os casos desse tipo de câncer. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 66.280 novos casos em 2022 (2019 a), sendo sua prevalência em mulheres a partir dos 50 anos. (https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/controle-do-cancer-de-mama/dados-e-numeros/incidencia).

Diante da grande incidência desse tipo de câncer fez-se necessárias medidas de conscientização e prevenção da doença. Esse movimento se iniciou nos EUA na década de 90 e após aprovação pelo Congresso Americano o mês de outubro foi considerado mundialmente o mês de prevenção ao câncer de mama. O objetivo é promover informações e ações acerca da prevenção e diagnóstico precoce da doença. No Brasil a campanha ganhou força em 2008, mesmo tendo chegado por aqui em 2002.

O símbolo da campanha é um laço cor de rosa (o laço simboliza as formas de prevenção) desenvolvido pela Fundação Susan G. Komen for the Cure (https://www.komen.org/, ele foi distribuído aos corredores participantes da primeira corrida de rua pela cura. Além das tradicionais corridas de rua, várias outras ações em relação ao tema são adotadas de forma mais consistente no mês de outubro. A exemplo dessas ações, o site do hospital Ac Camargo Câncer Center, um dos hospitais de referência no tratamento e pesquisas em câncer no Brasil, disponibiliza textos, entrevistas e podcasts como ações informativas à sociedade. (https://www.accamargo.org.br/sobre-o-cancer/noticias/outubro-rosa-uma-selecao-de-conteudos-para-voce-saber-tudo-sobre-o-cancer).

Pacientes oncológicos tem muitos desafios a ultrapassar, não somente quanto ao diagnóstico, mas, principalmente durante o tratamento. Ter o apoio da família e dos amigos é de extrema importância, é um acalanto ao coração e a alma. Por vezes, esses pacientes precisam de cuidados especiais, cuidados em saúde mental e nesse momento um psicoterapeuta pode fazer a diferente no enfrentamento da doença e do tratamento. 

Nas décadas de 50 e 60 os pacientes que eram diagnosticados com qualquer tipo de câncer eram poupados pelo corpo clínico de receber informações, não só do diagnóstico, mas, também do tratamento. O corpo clínico prezava pela vida de seus pacientes e acreditavam que assim era melhor. Mas ao longo do tempo houve uma mudança de atitude pela equipe clínica que consiste em não somente revelar o diagnóstico ao paciente, mas envolvê-lo em todo o tratamento. 

Muitos pacientes relatam medo e incertezas diante do conhecimento do diagnóstico, mas também relatam que esse conhecimento os leva, na maior parte do tempo, a se engajarem em atitudes que tragam uma qualidade melhor de enfrentamento. Dado o avanço, tanto na comunicação entre o corpo clínico, paciente e família, quanto no tratamento da doença, as atenções são voltadas às necessidades emocionais desses pacientes, campo ainda negligenciado, mas em constante crescimento. Conforme Moorey e Greer (2012) ao serem abordados aspectos emocionais associados ao diagnóstico e ao tratamento quimioterápico pode-se diminuir sentimentos como abandono e raiva que os pacientes apresentam.

A TCC é uma das abordagens que pode auxiliar o paciente oncológico em sua jornada de tratamento, sendo as sessões direcionadas a compreender a doença, identificar e avaliar pensamentos distorcidos acerca da doença e/ou tratamento, praticar o relaxamento e/ou meditação, aceitar os seus sentimentos e praticar a autocompaixão e desenvolver uma postura mais ativa em seu tratamento.

 

Referencia:

Moorey, S., Greer S., Oxford Guide to CBT for people with Cancer. Oxford ; New York : Oxford University Press, 2012. 

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