O que é supervisão baseada em competências?

Foto de Google DeepMind na Unsplash

Por: Roberta Joaquim e Fabiana Romanini

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O modelo de supervisão baseado em evidências representa a convergência das melhores evidências provenientes de pesquisas em supervisão, adaptando essas descobertas ao contexto de ensino e às necessidades dos supervisionados, enquanto promove o desenvolvimento da perícia do supervisor. Por isso, é crucial que os supervisores recebam treinamento específico para esse propósito.

Diferentemente de outros modelos de supervisão, por exemplo, modelos nos quais o supervisionado relata atendimentos e o supervisor orienta como o atendimento deve ser conduzido, a supervisão baseada em competências, sendo esta a que tem maiores evidências, tem como objetivo primordial o desenvolvimento das competências profissionais do terapeuta. O desenvolvimento de competências abrange três dimensões: conhecimento, habilidade e atitude. O conhecimento refere-se à aquisição de informações, a habilidade é a aplicação desse conhecimento na prática, enquanto a atitude envolve posturas éticas, respeitosas e empáticas.

Para desenvolver tais competências, o supervisor utiliza diversas estratégias de ensino como, por exemplo, leitura, vídeos, role-play, diálogo socrático, atividades experienciais, plano de ação, autoprática e autorreflexão. O processo de supervisão estabelece metas de aprendizado de maneira colaborativa, implementa atividades específicas para atingir essas metas, fornece feedback sobre o desempenho e delineia um plano de ação para o desenvolvimento contínuo.

A utilização de escalas que mensuram competências clínicas como ferramenta de avaliação e autoavaliação permite a análise das competências já adquiridas pelo terapeuta e aquelas que necessitam de desenvolvimento. A exemplo, Cognitive Therapy Rating Scale (CTRS) foi desenvolvida por Young e Beck, em 1980, com o objetivo de avaliar as competências do terapeuta em treinamento, desde então vem se mostra uma escala com excelentes parâmetros de mensuração das três dimensões de competências profissionais.

As sessões de supervisão em TCC seguem os princípios fundamentais da terapia em TCC, como colaboração, descoberta guiada, conceitualização e estrutura. A estrutura da sessão de supervisão assemelha-se à da terapia, com uma revisão dos pontos essenciais da supervisão anterior e do plano de ação elaborado pelo estagiário. De forma colaborativa, são definidos os tópicos da agenda, os quais devem ser promissores para alcançar as metas de aprendizagem, não se restringindo apenas aos problemas identificados.

Com a agenda estabelecida, os tópicos são discutidos por meio de estratégias de ensino, como diálogo socrático, role-play, vinhetas e feedback informativo sobre o desempenho, buscando promover uma prática reflexiva dos supervisionados. Planos de ação são elaborados colaborativamente, alinhados ao foco da sessão de supervisão, visando à aquisição ou aprimoramento das habilidades terapêuticas treinadas.

O uso de feedback imediato é constante durante a sessão de supervisão e após as intervenções educacionais, verificando a compreensão do estagiário sobre seu aprendizado, se suas necessidades estão sendo atendidas e se é necessário redefinir a rota da supervisão. A preparação prévia do supervisionando antes das sessões é crucial para um desempenho eficaz nesse modelo, garantindo a otimização do tempo de supervisão e uma participação mais ativa e colaborativa.

Todos esses elementos contribuem para alcançar o objetivo de atingir as melhores práticas em supervisão. Em última análise, a supervisão em TCC fundamenta-se no desenvolvimento de competências terapêuticas, em evidências e concentra-se na aprendizagem experiencial.

Referências:

Barletta, J.B., Neufeld, C.B. (2020). Novos rumos da supervisão clínica em terapia cognitiva-comportamental: conceitos, modelos e estratégias baseadas em evidências. In Federação Brasileira de Terapias Cognitivas, C.B.Neufeld, E.M.O.Falcone & B.P.

Rangé (Orgs), PROCOGNTIVA Programa de Atualização e Terapia Cognitivo-Comportamental: Ciclo 7 (pp. 119-58). Porto Alegre: Artmed Panamericana. (Sistema de Educação Continuada a Distância, v.2

Falender, C. A., & Shafranske E. P. (2004). Clinical supervision: a competency-based approach. Washington, DC: American Psychological Association.

Milne, D. L., & Reiser, R. P. (2017). A manual for evidence-based CBT supervision. Hoboken, NJ: John Wiley & Sons.

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