Modelo Cognitivo dos Atos Suícidas

Photo by Stormseeker on Unsplash

Por: Roberta Gonçalves Joaquim

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Em seu livro sobre TCC para pacientes suicidas (2010), Beck e seus colaboradores Amy Wenzel e Gregory K. Brown, não só propõe uma revisão literária sobre o tema, incluindo as suas próprias pesquisas, como também propõem um modelo cognitivo para os atos  suicidas

O modelo cognitivo dos atos suicidas porposto pelos autores demonstra a compreensão dos fatores cognitivos e psicológicos que contribuem para o comportamento suicida, considerando constructos teóricos a respeito do suicídio e constructos psicológicos relacionados aos atos suicidas. Embora haja várias teorias e modelos que tentam explicar o comportamento suicida, o modelo cognitivo se concentra especificamente nos processos mentais e nas crenças que podem levar alguém a considerar o suicídio como uma opção.

Alguns dos principais componentes do modelo cognitivo dos atos suicidas incluem:

1. Desesperança: A desesperança é frequentemente considerada um fator-chave no comportamento suicida. A relação entre um forte traço de desesperança e um pequeno estressor ambiental resulta em um estado de desesperança ainda maior. A desesperança é um indicador de risco de longo prazo em pacientes depressivos internados (ambiente em que a pesquisa foi efetuada), e assim, a variável de foco principal durante o processo terapêutico. 

Pacientes que não apresentam melhoras em seus níveis de desesperança devem receber uma atenção maior de longo prazo. 

2. Pensamento negativo recorrente: Pessoas que estão em risco de suicídio muitas vezes experimentam padrões de pensamento negativo repetitivo. Eles podem se concentrar em seus fracassos, problemas e defeitos, amplificando esses aspectos negativos e minimizando as coisas positivas em suas vidas.

3. Cognições relacionadas ao suicídio: predizem o ato suicida e são denominadas ideação suicida e intenção suicida.

4. Impulsividade aumentada: fator de vulnerabilidade disposicional (característica duradoura da pessoa) estão relacionados ao aumento da probabilidade de suicidio, isto devido a percepção de intolerabilidade ou vontade de comunicar seu sofrimento ao outro.

5. Vieses de processamento de informação: atenção seletiva direcionada aos sinais relacionados ao suicídio, restringindo a atenção para tais aspectos e distanciando a atenção dos demais indicadores de outras alterrnativas, seguranças e razões para viver.

6. Déficits na resolução de problemas: neste modelo estão associados aos estressores de vida e à ideação suicida.

7. Atitudes disfuncionais: associadas aos esquemas a esquemas negativos relacionados a esquemas de trastornos psiquiátricos. O perfeccionismo é um exemplo dessas atitudes disfuncionais relacionada ao suicídio.

É importante ressaltar que o comportamento suicida é complexo e multifacetado, e que a intervenção e a prevenção do suicídio geralmente envolvem uma abordagem multidisciplinar que considera fatores biológicos, psicológicos, sociais e ambientais. 

 

Modelo Cognitivo dos atos suicidas.

 

Os autores descrevem o modelo da seguinte forma: 

“Os fatores de vulnerabilidade disposicionais colocam o indivíduo em risco de atos suicidas. Os processos cognitivos associados aos transtornos psiquiátricos congregam-se para ativar processos cognitivos relacionados a atos suicidas e os eventos psicológicos desenvolveram-se uma vez que a crise suicida esteja ocorrendo” (Wenzel,Brown e Beck 2010, p.70). 

 

Modelo ilustrado a seguir:




emos que a compreensão do modelo cognitivo geral ou específico nos proporciona um embasamento maior à nossa prática clínica em TCC. A compreensão específica de atos suicidas nos leva a conceitualizar de forma individual as dificuldades dos nossos clientes e a escolher melhores estratégias para intervenção. 

 

Referência Bibliográfica: Wenzel, A., Brown, K. G. e Beck, A. (2010). Terapia Cognitivo-Comportamental para pacientes Suicidas; Porto Alegre: Artmed, 2010.

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